Será que a esquerda que habita as faculdades e universidades quer mesmo que a democracia seja radicalizada ou que os direitos sejam, de fato, universalizados?
Não questiono aqui a importância da militância em diversos aspectos, movimento negro, feminista, gay, dentre outros, mesmo porque, sendo homem, hétero e branco eu não estou querendo me colocar contra isso, e nem tenho direito de criticar esses movimentos.
O que eu questiono é a abertura do espaço de discussão para o público.
Muitas vezes existem vários núcleos de várias correntes científicas dentro dos diversos cursos na Universidade, super interessantes, seriam úteis a beça para criar espaços de um "pensar diferente e alternativo,. mas é tudo tão fechado, engessado, não vejo diálogo com as pessoas comuns e que não tem contato com as instituições de ensino superior.
E se tem é de uma maneira quase de solidariedade, "vamos ajudar os necessitados", "olha como eu sou bacana", "sou democrático, estou ajudando o outro".
Quase não dá para ter uma conversa, falar o mesmo idioma, da galera do lado de fora.
Eu acho isso estranho. O primeiro passo é falar que as pessoas são alienadas e não se interessam por questões mais complexas e que elas deveriam se interessar e ir atrás.
Creio que a responsabilidade, na verdade, é o inverso, nós é que deveríamos ir atrás e jogar os "muros" da universidade no chão.
Existem códigos, sinais, e outros elementos que não dão naturalidade as pessoas de fora a procurar as instituições de ensino público.
As pessoas não sentem que aquilo é delas, que elas podem ter um livre trânsito ali, se inserir em projetos, viver uma vida completa.
Meu palpite: a universidade não é pública de fato, ela pertence a uma elite cultural, e essa elite se auto-perpetua ali dentro, não creio que seja do interesse dessa elite perder seu privilégio.
Inclusive acho, que muito da credibilidade intelectual, além do fato do conhecimento científico ser hiper-mega-ultra estimado, existe o aspecto clubista, exclusivista, são poucos que o detém.
A esquerda é elitizada, não consegue dialogar com as pessoas comuns, possui um palavreado próprio, que só quem sabe a linguagem pode utilizar. E isso é péssimo, afasta as pessoas.
Fora as cagações de regra que a gente percebe em determinados espaços, existe até uma norma superior de comportamento, roupas, e gosto musical que as pessoas ali tem que ter. Tudo muito de elite. Escutar um sertanêjão, um Pop, é proibido. Eu mesmo já escutei que eu tinha que aprender a escutar música boa. É tudo muito faz de conta e pouca prática.
E, pra mim, o principal são as pessoas, porque não existe mudança sem público, e se se pretende fazer um governo mais democrático, precisa-se de pessoas influenciando e se posicionando de maneira mais direta nas coisas.
Acredito que as políticas de inclusão social dos últimos governos foram interessantes por isso, mais "gente de fora", vai se apropriar das universidades.
Agora vem um paradoxo, se é desejo da esquerda a libertação da classe trabalhadora, porque a esquerda intelectual ainda prima por ser exclusivista e não consegue dialogar com o resto das pessoas?
Será que existe mesmo um interesse que se torne as coisas mais horizontais e democráticas, ou existe um desejo de manter uma relação de poder?
